A transição da adolescência para a vida adulta é um dos períodos mais intensos do desenvolvimento humano. Nos últimos anos do colégio e durante o pré-vestibular, muitos jovens vivenciam uma ansiedade que vai além da preocupação “normal” com provas e escolhas profissionais. Trata-se de um momento de redefinição de identidade, autonomia e pertencimento — e é justamente aí que antigos padrões emocionais podem se intensificar.
A pressão das escolhas e a ativação de esquemas
O que identifico em meus atendimentos é que, no pré-vestibular, o jovem se vê diante de decisões que parecem definitivas: “Que carreira seguir?”, “E se eu errar?”, “Vou decepcionar meus pais?”. E, embora façam parte do processo de amadurecimento, essas perguntas podem ativar crenças (esquemas) que influenciam os pensamentos (“Eu nunca vou conseguir” ou “Não sou bom o suficiente”), as emoções (ansiedade intensa, medo, culpa) e os comportamentos (procrastinação, isolamento, crises de choro, irritabilidade).
A ilusão da “escolha definitiva”
Culturalmente, o vestibular é tratado como um divisor de águas. No entanto, a vida adulta é marcada por revisões, mudanças de rota e recomeços. Quando o jovem acredita que “precisa acertar de primeira”, o esquema de Fracasso e os Padrões Inflexíveis tendem a se intensificar.
Do ponto de vista terapêutico, é fundamental ampliar a percepção: escolhas são importantes, mas não são sentenças irrevogáveis.
O papel da psicoterapia nesse momento
A psicoterapia, especialmente na abordagem da Terapia do Esquema, oferece ao jovem:
- Identificação dos esquemas ativados;
- Compreensão das origens emocionais desses padrões;
- Desenvolvimento do Adulto Saudável;
- Construção de autonomia emocional;
- Redução da autocrítica excessiva;
- Fortalecimento da identidade e dos próprios valores.
Ao compreender que a ansiedade não é um “defeito”, mas um sinal de necessidades emocionais ativadas, o jovem pode passar a se relacionar consigo mesmo com mais compaixão e menos cobrança.
Transição psíquica profunda
A passagem da adolescência para a vida adulta não é apenas uma etapa acadêmica — é uma transição psíquica profunda.
Você, mãe e pai, que está atento aos comportamentos e emoções de seu adolescente, lembre que é um período que pede escuta acolhedora, validação e reorganização interna.
E se está aqui, lendo este texto, é porque está sendo muito cuidadoso e amoroso com seu filho.
Mais do que escolher uma profissão, o jovem está aprendendo a escolher a si mesmo. E esse processo, quando acompanhado com cuidado e consciência, pode se tornar não apenas menos angustiante, mas também profundamente transformador.
Quer meu apoio neste processo? Agende uma sessão e juntos podemos construir esse caminho.

