No mundo corporativo, existe um perfil que é o sonho de qualquer empresa: o “High Performer”.
É aquele profissional que entrega resultados acima da média, que assume responsabilidades extras, que nunca diz “não consigo” e que parece ter uma bateria inesgotável. Aos olhos da equipe e da família, ele é um exemplo de sucesso e resiliência.
Mas, após 20 anos atuando em Relações Humanas e RH, aprendi a olhar além das avaliações de desempenho. Muitas vezes, por trás desse profissional impecável, existe um ser humano em colapso silencioso.
Hoje, na clínica, vejo que esse “sucesso” funciona muitas vezes como uma armadura. E quanto mais pesada a armadura, mais difícil é respirar lá dentro.
A Armadilha dos “Padrões Inflexíveis”
Na Terapia do Esquema, identificamos um padrão muito comum em profissionais de alta performance: o esquema de Padrões Inflexíveis / Crítica Exagerada.
Se você possui esse esquema (essa “lente”), sua mente funciona sob uma regra rígida: “O bom não é suficiente. Precisa ser perfeito.”
Você vive sob a tirania do “deveria”:
- “Eu deveria ter entregue aquele relatório dois dias antes.”
- “Eu deveria ter sido mais produtivo na reunião.”
- “Eu não deveria me sentir cansado.”
A conquista de uma meta não traz alegria, traz apenas alívio momentâneo. E, segundos depois, a barra sobe novamente. É uma corrida numa esteira que nunca desliga, onde o descanso é visto como fraqueza ou perda de tempo.
O medo secreto por trás da Excelência
Por que alguém se submete a essa pressão interna brutal?
Muitas vezes, lá no fundo da nossa história, aprendemos que só seríamos amados ou valorizados se fôssemos “úteis”, “inteligentes” ou “os melhores”.
O High Performer teme, inconscientemente, que se ele parar de produzir, perderá seu valor. Se ele errar, será humilhado ou rejeitado. A excelência deixa de ser uma escolha profissional e vira uma estratégia de sobrevivência emocional.
O resultado? Ansiedade crônica, insônia, distanciamento afetivo da família e, eventualmente, o Burnout.
O papel da Terapia: Construindo o “Adulto Saudável”
Muitos pacientes chegam ao meu consultório com medo de que a terapia os faça “perder a performance”. “Dra., se eu relaxar, vou virar um profissional medíocre?”
A resposta é não. Pelo contrário.
Na terapia, unimos minha experiência de carreira com as técnicas da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e Esquemas para fortalecer o seu Adulto Saudável. O objetivo não é fazer você parar de trabalhar, mas sim:
- Desligar o “Crítico Interno”: Aquela voz punitiva que te chicoteia a cada pequeno erro.
- Redefinir o Sucesso: Aprender a ter valor por quem você é, não apenas pelo que você entrega.
- Estabelecer Limites Reais: Entender que dizer “não” é uma competência de liderança, não de falha.
Você não precisa carregar o mundo
É possível ter uma carreira brilhante sem sacrificar sua saúde mental. O verdadeiro equilíbrio entre mente e carreira começa quando você entende que sua humanidade não é um defeito no seu currículo.
Se você sente que sua bateria está viciada, agende uma sessão. Vamos usar a estratégia e o acolhimento para cuidar da sua carreira mais importante: a sua vida.

