Pode parecer uma pergunta estranha. Afinal, você deixa sua família em casa quando sai para trabalhar, certo? Fisicamente, sim. Mas emocionalmente, é muito provável que eles estejam sentados na cadeira ao lado da sua.
Durante meus 20 anos atuando em RH e Desenvolvimento Organizacional, presenciei conflitos entre líderes e liderados que pareciam desproporcionais à situação real. Eram reações intensas de mágoa, rebeldia ou submissão que não faziam sentido no contexto corporativo.
Hoje, com a lente da Psicologia Clínica e da Terapia do Esquema, a explicação é clara: nós tendemos a recriar, inconscientemente, o ambiente emocional da nossa casa dentro do escritório.
Isso não significa que você é imaturo. Significa que o cérebro humano funciona por associação.
O Chefe e a Figura de Autoridade (Pai/Mãe)
Para o nosso inconsciente, a figura do “Chefe” ou “Gestor” aciona os mesmos circuitos neurais da nossa primeira experiência com autoridade: nossos pais.
- Se você teve um pai muito crítico e exigente: Um simples feedback de melhoria do seu chefe pode ser sentido como um ataque pessoal devastador. Seu esquema de Defectividade é ativado e você reage como aquela criança ferida: ou se fecha (submissão) ou ataca de volta (rebeldia).
- Se você teve pais ausentes: Você pode buscar no seu líder a validação e o reconhecimento que nunca teve, tornando-se excessivamente dependente da aprovação dele e sentindo-se “abandonado” se ele não te elogia constantemente (esquema de Privação Emocional).
Você não está reagindo ao seu chefe, está reagindo ao seu pai. Mas é o seu chefe (e sua carreira) que pagam o preço.
Os Colegas e a Rivalidade entre Irmãos
E os colegas de equipe? Para o cérebro, eles ocupam o lugar dos “irmãos”.
É aqui que nascem as disputas por território, o ciúme quando o outro é promovido ou a sensação de injustiça (“Por que ele ganhou o projeto e eu não?”).
Se você cresceu em um ambiente onde precisava competir por atenção ou recursos, é provável que enxergue seus pares como rivais perigosos, e não como aliados. O esquema de Desconfiança/Abuso ou de Fracasso pode transformar o ambiente de trabalho em um campo de batalha desnecessário.
Como deixar a “Família” em casa?
O primeiro passo é a consciência. Na terapia, nós separamos o passado do presente.
Quando um conflito no trabalho te desestabilizar, fazemos a pergunta crucial: “Essa emoção tem o tamanho do fato, ou ela é uma ‘emoção elástica’ que traz uma carga antiga?”
Trabalhar essas questões na Terapia do Esquema e no Mentoring de Carreira permite que você:
- Enxergue seu chefe como ele é: Um ser humano falho, com dias bons e ruins, e não um juiz da sua existência.
- Colabore com seus pares: Baixando as armas da competição infantil.
- Assuma seu papel de Adulto: Respondendo com profissionalismo e estratégia, e não com a reatividade da criança ferida.
Profissionalismo é, antes de tudo, autoconhecimento
Se você sente que suas emoções no trabalho são uma montanha-russa, talvez seja hora de investigar quem está “pilotando” sua carreira: o adulto competente que você se tornou ou a criança que ainda busca aprovação.
Agende uma sessão. Vamos entender essa dinâmica e liberar você para crescer.

